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Sarampo: o guia completo para o vestibular

Descoberto em 860 D.C., o sarampo é uma das doenças mais citadas nos vestibulares de todo o país.

Autor Representação de uma pessoa Matheus Data Representação de um calendário 20/08/2019 Tempo Representação de um relógio 7min  de leitura

Pode parecer inofensivo, mas o sarampo causou milhões de mortes no passado. Devido a inúmeros erros, a doença voltou em 2018 em uma grande pandemia. Por isso, é fundamental entender tudo sobre o sarampo e como ele pode ser cobrado na hora do vestibular.

Uma breve história…

O sarampo ganhou este nome em 860 D.C., mesmo já existindo casos anteriores. Após o registro, ele chegou a ser uma das doenças mais perigosas de todo o mundo. Estima-se que nos séculos XV e XVI, milhões de pessoas morreram em contato com o patógeno, decorrente das grandes navegações.

No caso das Américas, o sarampo foi utilizado como arma biológica. Na tentativa de controle dos grandes impérios, como o Asteca, os espanhóis entregavam objetos cheios de vírus. Totalmente suscetíveis à doença, milhões de indígenas morriam rapidamente, possibilitando a conquista.

Os surtos estenderam-se de forma periódica até meados do século 19, quando o vírus foi finalmente isolado e transformado em vacina. Estima-se que até antes desse momento, 7 milhões de pessoas morriam todos os anos decorrentes da doença.

Afinal, o que é o Sarampo?

Classificada como uma doença infecciosa, o sarampo é causado pelo vírus de RNA da espécie Measles morbillivirus. Sua proliferação é através do ar, e os seres humanos são os únicos hospedeiros naturais.

Ao entrar em contato com os pulmões, o vírus busca células do sistema imune, especialmente as detríticas e os macrófagos. Ou seja, o sarampo é uma doença de infecção no sistema imunológico!

Já dentro das células do sistema imune inato, o vírus consegue entrar em regiões com muita concentração de células de defesa, os gânglios linfáticos. Lá, inicia-se a infecção dos glóbulos brancos, permitindo a dispersão para o resto do corpo pela corrente sanguínea.

Principais Sintomas

Consequentemente, as células infectadas irão iniciar inflamações, gerando febres altas e as manchas vermelhas que são características do sarampo. Quase ao mesmo tempo, o vírus consegue voltar para os pulmões e começa a ser dispersado por gotículas de saliva e tosses.

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Exemplo de manchas na pele, um dos principais sintomas do sarampo.

De forma geral, o sarampo acaba diminuindo a quantidade de células do sistema imune, enfraquecendo-o. Com isso, diversos patógenos conseguem se multiplicar dentro do organismo, podendo gerar doenças oportunistas. Devido a complicações do sarampo, como pneumonia por exemplo, mais de 110 mil pessoas foram a óbito em 2017, especialmente crianças.

Todo esse quadro clínico se desenvolve 10 dias após o contágio e tem seu final entre 7 e 10 dias após os primeiros sintomas. Isso porque algumas células específicas, como os linfócitos B, conseguem produzir os anticorpos necessários para eliminar as células infectadas.

Finalizada a doença, o sistema imune do organismo inicia a produção das células de memória. Como o próprio nome já diz, essas células são responsáveis por lembrarem os anticorpos necessários para o combate do sarampo, impedindo novas infecções.

A vacina de sarampo

Mesmo a memorização sendo um processo natural, em 1798 o inglês Edward Jenner conseguiu artificialmente um resultado similar. Ao inocular uma forma mais branda da varíola, o médico conseguiu que o organismo memorizasse a doença, evitando-a. Surgia então a primeira vacina.

Entretanto, a vacina do sarampo só conseguiu ser desenvolvida em 1963. Para que isso ocorresse, cientistas precisaram atenuar o M. morbillivirus, ou seja, baixar o poder de infecção. Dessa forma, o vírus se reproduz de maneira lenta, possibilitando a resposta imune dos seres humanos.

Preparação da vacina contra o sarampo no Instituto de Higiene e Epidemiologia de Tirana.

Foto: (OMS) por D. Henrioud.

Outra característica da vacinação contra o sarampo é a necessidade de duas doses. Devido à estrutura viral, ao receber apenas uma dose nosso organismo desenvolve a proteção de 70% das infecções. Ao tomar a segunda dose, o sucesso contra a doença vai para 97%.

De forma resumida, a diferença na proteção entre as doses da vacina ocorre pelo tipo de resposta imunológica. Ao receber a primeira injeção, a resposta do organismo será primária, produzindo alguns anticorpos. Contudo, ao receber uma nova dose, o organismo desenvolverá uma resposta secundária, produzindo mais anticorpos e melhorando a memorização. 

Uma nova pandemia?

Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS).

Mesmo com uma drástica redução dos casos de sarampo após o desenvolvimento da vacina, estamos muito longe de erradicar definitivamente a doença. Periodicamente novos surtos atingem diversos países em todo o planeta, especialmente os mais pobres.

Contudo, desde de 2017, surtos intensos da doença atingem também países na Europa e na América do Norte. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são mais de 181 países com casos confirmados e 720 mil pessoas infectadas nos últimos dois anos.

Diversas teorias têm sido levantadas sobre as causas dessa pandemia, como, por exemplo: o movimento anti-vacina, descuidos dos governos e até o movimento de refugiados. Todavia, independente da razão, a propagação do vírus é rápida, independente das condições climáticas.

No Brasil, os casos voltaram em 2018 após 2 anos sem novos registros. Atualmente, o surto está afetando 12 estados e acumulando mais de 13 mil novos casos, especialmente no Amazonas e São Paulo. O cenário é agravado ainda mais pela ausência de imunização da população jovem no país. 

Infelizmente, caso não ocorra mudanças severas na forma que todos nós encaramos a prevenção contra o sarampo, surtos cada vez mais intensos irão surgir nos próximos anos. É de responsabilidade de todos nós a prevenção e, acima de tudo, a vacinação.

PALAVRAS-CHAVES: Doença enem Sarampo Sistema Imunológico vírus