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Biologia

Febre do Mayaro: da origem aos sintomas

Descoberto na década de 50 no Caribe, a febre do Mayaro chegou para ficar. Descubra tudo sobre essa doença aqui.

Autor Representação de uma pessoa Matheus Data Representação de um calendário 18/10/2019 Tempo Representação de um relógio 5min  de leitura

Ainda muito desconhecida pela população brasileira, a febre do Mayaro trouxe alertas importantes para a saúde pública. Isso porque um surto em 2019, no Rio de Janeiro, pode ter iniciado uma nova fase da doença. Por isso, é fundamental que você esteja atento e saiba tudo sobre ela para se prevenir e detonar no vestibular.

Uma nova doença?

Pouco conhecida no meio-sul do Brasil, a Mayaro está longe de ser uma doença nova. Isolado em 1954, o vírus causador da febre foi descoberto na região rural de Trindade e Tobago, país da América Central. Contudo, não demorou para a doença ser identificada no Brasil, sendo registrada no estado do Pará um ano depois.

Considerada durante muito tempo endêmica das regiões rurais da Floresta Amazônica e do Caribe, o cenário começou a mudar a partir do ano 2000. Nesse ano, foram registrados casos no estado do Mato Grosso do Sul. A partir daí, o vírus foi lentamente se espalhando para o sul, chegando definitivamente no Sudeste em meados de 2016.

Com formato arredondado, o vírus da febre do Mayaro pertence ao grupo dos alphavírus.
O vírus da febre do Mayaro pertence ao grupo dos alphavírus

Ainda que pouco comum em comparação com outras arboviroses, – doenças transmitidas por artrópodes – o Mayaro vem rapidamente aumentando o número de casos. Em Goiás, por exemplo, havia apenas um caso em 2014, contra 78 confirmados em 2018.

Transmissão e sintomas

Outra preocupação muito grande dos cientistas e médicos é a subnotificação da doença. Transmitida originalmente pelo vetor rural da Febre Amarela, os mosquitos do gênero Haemagogus, o vírus Mayaro é da mesma família que a já conhecida Chikungunya. Justamente pela proximidade genética, ambas as doenças têm características muito comuns.

O caso torna-se mais emblemático porque da mesma maneira que ocorreu com a Febre Amarela, o vírus do Mayaro conseguiu se adaptar ao Aedes aegypti. Ele, além de ser muito mais comum e disseminado no Brasil, também é o vetor da chikungunya, dengue e outras doenças febris.

Com duas linhas brancas no dorso, o Aedes aegypti é um mosquito conhecido no mundo inteiro
O Aedes aegypti é uma das espécies de mosquito mais disseminadas do mundo

Por isso, olhares menos atentos à febre aguda, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo são diagnosticadas como causadas pelas demais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Entretanto, a grande diferença está em uma dor muscular generalizada e inchaço nas articulações.

Vale lembrar que, assim como as demais doenças que têm o Aedes aegypti como vetor, a febre do Mayaro não é contagiosa. Outra característica, é que mesmo podendo levar desde de incômodos até sequelas neurológicas, casos de morte são raros e os sintomas geralmente desaparecem em poucas semanas.

Combatendo a febre do Mayaro

Ainda que se conheça o básico sobre a doença, pouco sabemos sobre a biologia do vírus. Como consequência, não existem tratamentos específicos ou vacinas sendo produzidas, o que pode gerar um quadro complexo de saúde pública caso a doença se torne mais comum.

Em 2019, ocorreu as primeiras confirmações da chegada definitiva do vírus no Estado Rio de Janeiro. Felizmente esse fato foi entendido como um recado explícito às autoridades e órgãos públicos, sendo amplamente divulgada e intensificando as pesquisas já existentes.

De toda maneira, a melhor forma de combater a doença é sempre a prevenção contra o mosquito vetor. Atitudes simples como evitar o acúmulo de água limpa parada, fechar bem as caixas de água e colocar areia no vaso de plantas podem ser decisivas. Juntos podemos mudar a realidade da saúde pública.

Gostou do texto? Veja também este vídeo do Jubilut que fala sobre os crescentes casos de Dengue no Brasil:

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