Acessar o site
ENEM Química Vestibulares

Como resolvemos crimes com a Química Forense?

As ciências forenses ajudam na resolução de crimes pela detecção de sangue, impressões digitais, balística e pegadas deixadas pelos suspeitos. Entenda como os experts em perícia criminal utilizam seu conhecimento de química à serviço da justiça.

Autor Representação de uma pessoa Ana Maria Data Representação de um calendário 25/07/2019 Tempo Representação de um relógio 7min  de leitura

A química forense é um ramo da química que se dedica aos estudos de como aplicar os conhecimentos químicos na resolução de crimes. Da detecção de impressões digitais à marcas de sangue, a aplicação da química na resolução de crimes pode ser decisiva no fechamento de um caso.

O corpo humano é um complexo conjunto de substâncias e reações químicas. Por isso, por onde vamos deixamos uma marca química única – seja um pedaço do nosso DNA nos fios de cabelo, ou uma gota de suor na calçada em um dia quente.

Na resolução dos crimes, o cientista forense precisa ser um perito na detecção desses sinais deixados pelo criminoso e pela vítima. Além disso, precisa ter um grande conhecimento de química para reconhecer as substâncias, sua origem e aplicar as técnicas certas para obter os resultados mais confiáveis.

Coleta de Impressões Digitais

As impressões digitais surgem ainda no desenvolvimento fetal, durante a apoptose. Isso acontece quando as células de alguns tecidos existentes nas mãos e pés morrem, desfazendo de forma aleatória esse tecido, inexistente depois do desenvolvimento completo. Assim, as impressões digitais são exclusivas a cada indivíduo.

Assim, como é natural que a nossa pele produza secreções como suor e gordura, as digitais ficam literalmente impressas sobre as superfícies que tocamos!

O cientista forense dispõe de diversas técnicas para coletar essas digitais, de acordo com o tipo de superfície onde ela está e o tempo decorrido desde a sua impressão.

1: Técnica do Pó

Essa técnica é uma das mais simples e a mais utilizada. É a mais eficaz quando as impressões estão em superfícies lisas, não adsorventes. O efeito químico que possibilita o uso dessa técnica é a adsorção do pó à impressão digital.

Impressão digital revelada com pó de carvão, muito comum na química forense

A adsorção acontece quanto duas substâncias interagem através das interações intermoleculares. O pó utilizado costuma ser o carvão – que é uma das formas alotrópicas do carbono. Ou seja, ele é constituído somente de carbono puro (C6), num arranjo hexagonal.

Estrutura hexagonal do carvão
Estrutura hexagonal do carvão

Assim, o carvão, que é apolar, interage muito bem com os resquícios de sebo da pele, deixadas na impressão digital. Lembre que substâncias simples são sempre apolares! Eles interagem através de interações dipolo-induzido, já que ambos são apolares.

Com isso, o perito consegue ver a digital impressa sobre a superfície, e captá-la com a utilização de uma fita adesiva. O carvão fica colado na fita, e a impressão digital pode ser comparada com um banco de digitais dos suspeitos.

2: Técnica do Iodo

O Iodo é um halogênio, da família 7A. É o único halogênio que é sólido, por causa de sua grande massa atômica (127 g/mol). Apesar de ser sólido, o iodo é capaz de sublimar. Ele passa diretamente do estado sólido para o estado de vapor.

Iodo sólido sublimando em um gás roxo sobre uma tela de amianto
Iodo Sublimando

Isso acontece porque o iodo é uma substância simples; assim, ele é apolar. Por isso, suas interações intermoleculares não são tão fortes assim. Desta maneira, ele consegue passar para o estado de vapor, num processo chamado sublimação.

Essa técnica é utilizada na química forense em objetos pequenos, para a detecção de digitais. Para isso, coloca-se o objeto dentro de um recipiente, junto com alguns cristais de iodo. Assim, o iodo sublima e interage também por adsorção com as moléculas de gordura deixadas na digital.

Quando isso acontece, forma-se um produto acastanhado, permitindo a visualização clara da digital.

Digital em tom castanho impressa em um papel detectada com iodo, uma técnica forense
Impressão digital revelada com iodo

3: Técnica do DFO

A diazafluorenona (DFO) é uma molécula orgânica também utilizada na revelação de digitais. Ela consiste em dois anéis piridínicos (semelhante ao benzeno, mas com um nitrogênio no lugar de um dos carbonos), unidos por um carbono ligado a um oxigênio (C=O).

Molécula de DFO

A nossa derme possui uma camada superficial de queratina, uma proteína constituída por vários aminoácidos. Assim, quando tocamos nas superfícies, deixamos também resquícios de aminoácidos, das células mortas das camadas mais externas da pele.

Digitais em laranja fosforescente revaladas com DFO, sobre uma superfície de vidro, utilizada por perito forense
Digitais reveladas com a utilização do DFO

A DFO, por sua vez, reage com aminoácidos, deixados também pelo toque dos dedos. Essa reação produz um composto fluorescente, que pode ser observado com o auxílio de uma luz azul forense.

Manchas de Sangue

Quando amostras de sangue são coletadas, o perito criminal precisa antes ter certeza de que realmente se trata de sangue. Para isso, utilizam um reagente que contém água oxigenada (H2O2) e a fenolftaleína, um conhecido indicador ácido-base.

A água oxigenada é decomposta em água (H2O) e gás oxigênio (O2) pela ação da hemoglobina, em uma reação de análise ou decomposição. A hemoglobina é uma metaloproteína que existe nas nossas hemácias, e é a grande responsável pelo transporte de oxigênio do nosso sangue. Nessa reação, ela atua como um catalisador, acelerando a reação de decomposição.

Assim, com a decomposição da água oxigenada, a fenolftaleína muda de cor. Se ela ficar rosa, teremos a confirmação de que realmente se trata de uma mancha de sangue.

Além disso, existem outras técnicas, capazes de identificar o sangue e outros fluidos corporais no local do crime. Também conseguimos saber a origem das balas disparadas, e até mesmo a altura da qual as gotas de sangue caíram, através de complexas fórmulas matemáticas.

Ficou curioso para saber mais? Não deixe de conferir nosso superaulão sobre a Química Forense no Biologia Total!

PALAVRAS-CHAVES: química química forense