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Caatinga: o semiárido brasileiro

O principal bioma do sertão nordestino, a caatinga, possui características incomparáveis e é o único que é encontrado exclusivamente no Brasil. Ainda assim, o espaço já perdeu quase metade da sua biodiversidade por conta do desmatamento acelerado.

Autor Representação de uma pessoa Bruna Data Representação de um calendário 02/07/2019 Tempo Representação de um relógio 6min  de leitura

Localizada na área mais a leste da América do Sul, a Caatinga ocupa quase
11% do território nacional. Sempre associada à região Nordeste, ela é o único Bioma 100% brasileiro e nunca falta nas provas de vestibular. Porém, devido à sua destruição estamos cada dia mais perto de perdê-la para sempre.

Quem vive na Caatinga?

Habitada há milhares de anos por grupos indígenas, o nome “caatinga” tem origem tupi e significa “mata branca”. Esse nome é uma referência direta ao tronco esbranquiçado das plantas caducifólias, como são chamadas as que perdem suas folhas durante o período de seca.

Atualmente, vivem mais de 27 milhões de pessoas dentro da Caatinga, sendo a região semiárida mais povoada em todo planeta. Chamados popularmente de sertanejos, os habitantes locais são personagens de grandes obras literárias brasileiras, como por exemplo “O Grande Sertão Veredas”, de José Guimarães Rosa.

A Caatinga é o semiárido mais povoado do mundo.

Retratando a paisagem local, Guimarães Rosa traz em seu livro elementos importantes do Bioma, como a alta luminosidade solar, o relevo plano e o solo raso e pedregoso. Mesmo que todas essas características representem a Caatinga, ela é muito mais do que isso. Ela é o semiárido mais biodiverso do mundo!

O semiárido brasileiro

Embora situada próxima ao Oceano Atlântico, e entre a Mata Atlântica e o Cerrado, a Caatinga tem como principal característica o clima semiárido. Mantendo uma temperatura média de 25 °C, essa região apresenta o menor índice pluviométrico do Brasil, variando em média entre 500 a 700 mm anuais.

Contudo, é importante ressaltar que as chuvas não são constantes nesse Bioma, sendo concentradas entre os meses de dezembro a abril. No restante do ano, entre maio a novembro, ocorre um período de estiagem conhecido popularmente como período de seca.

As chuvas modificam toda paisagem da Caatinga.

A existência desse clima semiárido é decorrente do relevo que impede a chegada das massas de ar úmidas para dentro do continente. Cercado de planaltos e chapadas, o interior do Bioma é uma grande depressão, conhecida como Depressão Sertaneja. Dessa maneira, toda chuva acaba sendo barrada nas áreas mais altas, não conseguindo atingir a região central da Caatinga.

Esses e outros aspectos sobre a Caatinga, você descobrirá ao baixar nosso eBook sobre este assunto! Ele possui 10 questões, relacionadas ao Bioma, que já apareceram nos vestibulares mais concorridos do Brasil. Confira abaixo:

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A vida da Caatinga

Diferente do que muitos pensam, existem áreas com vegetação fechada na Caatinga.

As características hídricas são fatores fundamentais para toda a biodiversidade da região. Quando falamos das plantas, são 3.000 espécies diferentes, sendo que quase 25% exclusivas do Bioma. Mesmo não sendo regra, geralmente elas apresentam o aspecto xeromórfico.

Em outras palavras, plantas xenomórficas são aquelas adaptadas aos climas secos. Essas normalmente conseguem armazenar água nas raízes, como o juazeiro, ou ainda acham formas de diminuir a perda de água, como por exemplo, a transformação de folhas em espinhos nos cactos.

Já quando falamos da biodiversidade animal, são mais de 1.000 espécies de vertebrados, sendo encontrados surpreendentemente mais de 250 espécies peixes e 50 de anfíbios! Ambos os grupos são extremamente adaptados ao ambiente seco, tendo sua reprodução associada diretamente à chegada das chuvas.

Porém, o maior destaque é das aves, com 510 espécies diferentes. Durante os meses mais secos, essas aves acabam migrando para as regiões mais úmidas em busca de alimento. Contudo, com a volta das chuvas, elas dominam a paisagem e são importantes dispersoras de sementes.

Mocó é um pequeno roedor endêmico do Bioma.

Outro grupo inegavelmente fundamental na dispersão das sementes são os mamíferos. Conhecidas 143 espécies desse grupo, destacam-se o tatu-bola, o papa-mel, o veado-catingueiro e o mocó, um roedor exclusivo da Caatinga.

O sumiço do Bioma

Sofrendo desmatamentos intensos desde o século XVI, a Caatinga mantém menos de 53% da sua cobertura original. O problema ainda é agravado pela realidade social da região. Além de muito povoada, grande parte da sua população constitui as camadas mais pobres do Brasil, gerando sérios problemas de desigualdade social.

Outro impacto importante é o das mudanças climáticas. Com o aumento das temperaturas médias e dos dias secos, as chuvas vêm se tornando cada vez mais escassas. Eventualmente, grande parte da biodiversidade irá desaparecer, restando apenas um ambiente desértico dominado por cactáceas.

Com as mudanças climáticas, a desertificação do Bioma é uma realidade.

Atualmente, apenas 7,5% do território da Caatinga está protegido na forma de Unidades de Conservação. No entanto, investimentos estão sendo realizados com a finalidade de melhorar a proteção do Bioma. Nos últimos anos, projetos em educação ambiental vêm reduzindo a destruição da região e mudando lentamente a realidade local.

Gostou de saber um pouco mais sobre a Caatinga? Então agora, confira o 5º episódio da nossa Websérie Biomas do Brasil, e detone no conteúdo:

PALAVRAS-CHAVES: biomas caatinga ecologia